Foi conversando com uma amiga que resolvi fazer esta postagem com o intuito de ajudar mulheres que, estão bem próximas de um diagnóstico de câncer de mama.
O que dizer e o que pensar quando seu médico lhe dá a pior notícia de sua vida? Você está com 90% de chance de estar com câncer.
A sensação não é nada agradável. A primeira impressão é que o mundo desmoronou e o chão se abriu. Você perde a noção de tempo e espaço e, parece que está levitando. O tempo de receber a notícia e assimilar o que realmente ela significa é altamente indescritível. Primeiro vem as perguntas: Como assim? Por que eu?
Depois vem a revolta: Onde estava Deus que não me protegeu? Com tanto bandido saudável porque pessoas do bem são destinadas a esta morte tão terrível?
Logo em seguida, vem o medo. Não o medo da morte em si, pois há quem garanta que ela é apenas uma viagem em busca da luz. E eu lá quero saber de luz? Eu quero é viver e viver por longos anos. Foda-se se esta luz é bonita ou deslumbrante o suficiente para me levar à vida eterna ou ao sono profundo. Eu não quero dormir. Não assim. Não agora.
Tenho medo de não conseguir realizar meus planos. E... São tantos planos, tantos sonhos possíveis de serem realizados! Preciso abraçar meus filhos pela última vez; preciso encontrar o homem da minha vida e lhe dar aquele beijo na boca que eu nunca dei; preciso concluir o curso de Direito que eu ainda não comecei; preciso lutar pelo cargo de Juíza que ainda nem sei se é isso mesmo que eu quero; preciso punir com a justiça todos aqueles que me caluniaram, me difamaram, me injuriaram e estão livres, leves e, se achando intocáveis; preciso retomar minha carreira e reerguer-me financeiramente; preciso abraçar o Prof. Edison, a criaturinha mais fofa que já conheci e lhe agradecer pessoalmente por tudo que tem feito por mim, enfim, preciso viver e viver demanda tempo, disposição e, muita, mas muita saúde.
Por isso, nada é mais terrível que um diagnóstico assim, mas você não pode pensar que já está condenada à morte, embora suas chances sejam mínimas. É preciso um segundo diagnóstico, um terceiro, um quarto...
Não pare no primeiro, nunca! É a sua chance de por a prova sua fé, sua religiosidade, sua força de vontade, sua mentalização positiva porque você ainda tem 10% de chance de que tudo aconteça a seu favor.
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| punção mamária |
E foi isso que aconteceu com minha amiga e pode ser que esteja acontecendo com você que está lendo esta postagem. Passou por exames dolorosos, mas que maltratam mais a alma do que o corpo. Já ouviu falar em punção, em biópsia? O ambiente em que isso acontece é sinistro, embora tenha até música de fundo para você relaxar. E há quem relaxe numa situação assim? É como quando seu ginecologista pede para que você abra as pernas e relaxe durante o preventivo... Alguém consegue?
Mas, voltando à biópsia: o pior não é o procedimento em si, mas sim a espera do resultado. No meu caso o resultado foi inconclusivo e meu ginecologista sugeriu esperar mais seis meses para, assim fazer uma nova bateria de exames. Seis meses? Seis meses o kct! (desculpem a expressão). Eu não sou a esposa nem a filha dele, né? Seis meses é tempo suficiente pra encomendar o caixão e preparar um velório decente. De preferência sem velas (odeio cheiro de velas) e muitas flores de todas as cores, afinal, velório tem que ser alegre, com muita piada e gente falsa dizendo: coitadinha, era uma pessoa tão boa! Pena que foi tão cedo!
Pois é, amiga. Corri atrás literalmente e, não esperei muito para marcar uma consulta com um mastologista que, analisou meus exames e constatou de cara que tudo não passava de um grande engano. Eram apenas cistos que aparecem normalmente com o decorrer do tempo e da idade e que também desaparecem da mesma forma que surgiram.
Sabe aquela sensação de que o mundo desabou? Que a terra se abriu? Pois, é. Tudo aconteceu novamente, só que desta vez não mais com a sensação de morte, mas com a certeza de que a vida me fora devolvida naquele exato momento.
Resultado: Dois dias sem sair de casa, com o corpo dolorido como se tivesse passado por uma tortura física, dois dias sem atender telefone, sem atualizar o blog, sem ligar o PC, sem ver a luz do sol, rezando para que ninguém viesse me visitar. Por quê? Sinceramente não sei, mas eu precisava desse tempo comigo mesma. Precisava sentir que minha fé e minha força interior são inabaláveis quando se tem amigos e parentes inestimáveis que, mesmo a distância, sabiam da minha luta, da minha angústia, dos meus medos e me apoiaram, me falando sempre que a esperança é a última que morre e que... TUDO PASSA!
PASSOU! Passou para mim e para minha amiga. Quero que passe pra você também. Qualquer suspeita de um mal maior, apegue-se aos seus sonhos, a sua vontade de viver e busque novos resultados. Repita seus exames quantas vezes forem necessárias, mas, por favor, não perca tempo, pois o tempo é precioso e, você estará desperdiçando o que de mais valioso você tem. Se mesmo assim os resultados não lhe favorecerem, acredite na medicina, pois hoje em dia, o câncer pode ser controlado e sua vida pode ser prolongada fazendo com que você realize seus sonhos mais imediatos.
Quanto à morte... Infelizmente, ela está viva e ronda todos aqueles que ainda respiram. Cabe a nós, pobres mortais, convivermos com a certeza de que um dia nos encontraremos com ela em algum lugar, em um tempo qualquer... Mas retardar este encontro, é com certeza, nossa maior obrigação.


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